Três dados históricos para refletir sobre a educação no Brasil

Você já considerou estudar a história da educação no Brasil para compreender melhor porque a nossa educação está da maneira como a conhecemos hoje? Não importa a sua área de formação, se você trabalha com educação, é muito relevante que conheça, ainda que genericamente, os caminhos que nos trouxeram ao cenário atual de nosso país.

Apresento abaixo apenas três fatos que farão com que você reflita sobre a educação no Brasil. É importante ressaltar que a nossa história é longa e não se limita aos dados expostos abaixo.

1) Como começa a educação no Brasil Colonial?

Vale salientar que existe educação, não só no Brasil como em qualquer outro lugar do mundo,  desde que existem trocas humanas, ou seja, toda transmissão cultural em si já pode ser considerada um processo educativo, portanto, estamos abordando aqui apenas do período de colonização brasileira para frente.

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De maneira sucinta, a educação brasileira na colonização portuguesa começou com a chegada dos jesuítas, por meio da Companhia de Jesus. O objetivo dos jesuítas não era necessariamente educar no sentido escolar que conhecemos hoje, mas basicamente catequizar e propagar o cristianismo, o que fazia sentido para a época. Não podemos tirar o mérito da companhia ao criar escolas e ensinar gramática, humanidades e teologia em um Brasil que ainda não conhecia nenhuma outra alternativa, mas alguns historiadores apontamque o ensino dos jesuítas era considerado defasado em relação ao resto do mundo, visto que eles proibiam a utilização de muitos livros com tendências culturais e socioeconômicas modernizadoras para aquele período. Com este perfil, permaneceram 210 anos responsáveis pela educação em nosso país. Além disso, estima-se que menos de 0,1% da população tinha acesso à educação, considerando que escravos, mulheres, negros livres, crianças abandonadas, pardos e filhos ilegítimos não podiam frequentar as aulas.

2) A educação até o século XIX

Com a saída dos jesuítas, conduzida dentro das consideradas Reformas Pombalinas, o Brasil apresentou mudanças em relação a compreensão do que significava educar, fortalecendo a responsabilidade do estado referente ao tema e propondo um modelo de educação laica e especializada. No entanto, neste período, por diferentes fatores, o Brasil não teve estrutura física e financeira para dar conta desse modelo, considerado inovador para a época. Na prática, com a saída da Companhia de Jesus, a educação passou um bom tempo a cargo de missões religiosas e aulas avulsas.

Com a chegada de Dom João VI, já no século XIX, o Brasil teve avanços significativos no que se considerava educação formal, mas ainda não possuía universidades em sua estrutura, por exemplo. Na década de 1880, Rui Barbosa examinou a educação em vários países da Europa e da América e em seu parecer afirmou que se o Brasil mantivesse o ritmo de seus progressos educacionais demoraria 799 anos para atingir o nível de países mais desenvolvidos. Embora tivéssemos, na concepção da época, ideias consideradas inovadoras e modernas, na área educacional, muitas mudanças foram adiadas ou negadas pelo Império. Dessa forma, não houveram mudanças estruturais no país no quesito educacional.

3) A primeira geração de grandes educadores

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Foto: Pexels

Apenas no início do século XX, começa-se um grande movimento de reformas estaduais na concepção de educação que conhecemos hoje, surgindo a primeira geração de grandes educadores, como Anísio Teixeira, Fernando de Azevedo, Cecília Meireles e outros. A partir deste cenário, inicia-se um movimento de renovação e, em 1924, começamos realmente a discutir educação em um âmbito nacional. A partir de então, as reformas educacionais começaram a se organizar de uma maneira mais homogênea no país. Ainda assim, vale ressaltar que as ideias novas concorriam fortemente com a pedagogia religiosa ainda muito forte neste período.

Obviamente que a nossa história é muito mais extensa e diversos fatos a mais influenciaram a política educacional brasileira. Apesar disto, olhar para estes acontecimentos de maneira crítica e reflexiva nos permite pensar na educação que temos hoje em nosso país e nos desafios que permeiam esse cenário no século XXI. Podemos considerar que começamos a discutir verdadeiramente o tema recentemente, e ainda muito enviesados por uma pedagogia tradicional religiosa ainda preponderante. Vale olhar para as discussões, avanços e retrocessos atuais acolhendo nossa história e nutrindo paciência e perseverança de que podemos mudar a realidade educacional do nosso país, não por milagre, mas por pequenas doses constantes de mudança.

Referências

CUNHA, C.; FERNANDES, J. H. P. O contexto da educação básica e desafios contemporâneos, 2019. (Apostila).

Publicado originalmente no Linkedin em 24 de abril de 2019.

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