Três coisas que muitos ainda não valorizam, mas deveriam valorizar quando pensam em desempenho profissional

É muito comum nos autoavaliarmos, por vezes inconscientemente, sobre o nosso desempenho em diferentes contextos, seja na vida pessoal, social ou profissional. Quando pensamos em relacionamentos familiares e românticos, quase que naturalmente consideramos elementos emocionais e intrapessoais como fatores que nos influenciam.

Por outro lado, na vida profissional costumamos priorizar ou focar em elementos como tempo, sobrecarga, estresse, cobrança, crescimento entre outros. Criamos uma pseudoverdade de que em ambientes organizacionais não vale a pena questionar esses pontos “sensíveis” ou ainda que possamos considerar, não devemos valorizá-los tanto assim.

Mal sabem os que assim pensam o quanto perdem por não considerar elementos emocionais e intrapessoais nesta área tão importante na nossa vida. A matemática é fácil: todos sentimos emoções, conseguimos criar estratégias que possam regulá-las, mas nunca eliminá-las. Todos nós convivemos com nós mesmos uma vida inteira (por mais insuportável que isso possa parecer para alguns). Por fim, passamos um terço ou mais da vida trabalhando. Junte todos esses elementos e faça o seguinte questionamento:

O que te faz pensar que ignorar ou negar suas emoções e seu relacionamento com você mesmo nesse contexto vai ajudar?

Bom, embora tenha ficado um pouco simplista, não preciso ir muito longe para que você comece a considerar esses aspectos a partir de hoje. Considerando isto, seguem três coisas que provavelmente você não valoriza, mas deveria, no seu desempenho profissional.

1) Emoções – emoções são respostas necessárias (e maravilhosas!) do nosso organismo. Elas nos sinalizam que precisamos prestar atenção em algo que está acontecendo dentro ou fora do nosso corpo. Sabe aquele dia em que você está irritado e se alguém falar um “A” você sente vontade de chorar de raiva e por esse motivo acaba afastando as pessoas de você? Aquele outro em que você estava tão triste com uma situação que não conseguiu se concentrar em suas tarefas? Ainda aquele em que procrastinou uma entrega porque perdeu horas imaginando ansiosamente como poderia ser catastrófico se aquela ação não desse certo?

Em todas essas situações, as emoções estavam passando uma mensagem. Ao ignorá-la podemos perder grandes oportunidades de respeitar o nosso corpo e replanejar nossas ações. Ainda que muitas emoções sejam desconfortáveis de sentir, esteja certo de que conseguir identificá-las e compreender o motivo pelo qual elas estão ali naquele momento pode ser o ponto de partida para que você crie estratégias de regulação e seja mais autônomo dentro do seu contexto. Reconhecer que está irritado pode te fazer evitar determinadas situações ou pessoas até que você se sinta mais preparado. Saber que você está triste e acolher a sua tristeza pode melhorar a sua concentração. Identificar a sua ansiedade pode fazer com que você deixe de alimentá-la logo no início, então você perceberá que ela pode te ajudar se estiver na medida certa.

Em suma, olhe com carinho para suas emoções, elas são parte de você e não vão te abandonar no seu desempenho profissional. Aceitá-las é um caminho seguro para diversas possibilidades de lidar com elas de maneira mais assertiva. Depois disso, seu desafio será encontrar estratégias que funcionem com você para que sua qualidade de vida e a das pessoas que convivem com você seja melhor.

2) Autoestima – ainda existe um grande mito de que autoestima se resume a autoimagem, ela vai muito além disso. Autoestima envolve autoconhecimento, identificação de pontos fortes, fracos, prazeres, desprazeres, facilidades, dificuldades. Além disso, ela considera também um elemento fundamental: o autorrespeito, ou seja, você conseguir olhar para tudo isso que se relaciona a você mesmo e verdadeiramente se respeitar dentro das suas potencialidades e limitações. Parece simples, não é? Mas conheci poucas pessoas em minha trajetória com autoestima saudável e fortalecida, estamos sempre sendo ensinados que a opinião do outro ou as circunstâncias externas definem quem somos ou o que podemos fazer.

Já parou para pensar em quanto estresse você teria poupado se não considerasse aquela opinião de uma pessoa que nem conhece a sua competência? Quão mais rápido você teria caminhado se confiasse naquilo que você sabe e pode fazer? Quantos planos já estariam progredindo se você reconhecesse suas limitações e, se respeitando, replanejasse rotas para crescer?

Pois é, autoconhecimento e autorrespeito são elementos que fazem toda a diferença no seu desempenho profissional. Eles podem te levar muito longe ou te deixar por anos estagnado. Pense sobre isso.

3) Comunicação – Parece meio óbvio, mas ter uma comunicação assertiva pode salvar o nosso desempenho profissional, a medida em que nos abrem e nos fecham muitas portas. Saber se comunicar em diferentes contextos é necessário para qualquer pessoa, mas nesse caso específico ressalto a capacidade de saber pedir ajuda quando necessário e fazer-se entender sem agredir o outro.

No primeiro caso, reconhecer suas limitações e que sozinho você pode crescer, mas dificilmente chegar muito longe, pode fornecer a você o suporte necessário para se aproximar de pessoas da sua confiança a fim de pedir uma opinião, sugestão ou mesmo solicitar um replanejamento dentro de um percurso específico no trabalho. Pedir ajuda não é sinônimo de fracasso e muito menos de incompetência, a depender do contexto pode te tornar bem mais autônomo emocionalmente e aumentar sua autoconfiança.

No segundo caso, ter uma comunicação assertiva envolve ser direto e objetivo sem agredir o outro ou anular a si mesmo. É mais difícil do que parece, mas quando treinamos essa habilidade conseguimos nos posicionar muito melhor em diferentes contextos e nos fazemos entender sem precisar ferir ninguém. Imagina quanto espaço podemos conseguir mantendo uma comunicação desse tipo?

Felizmente, as tão famosas soft skills estão ganhando espaço hoje no campo profissional, infelizmente ainda muito acompanhadas de mitos e equívocos sobre como elas podem ser desenvolvidas. Espero que a partir dessa leitura você possa começar a criar consciência de que trabalhar e crescer profissionalmente pode ser bem mais prazeroso quando intencionalmente você pensa criticamente sobre esses três pontos e consegue valorizá-los em seu cotidiano.

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Este artigo foi publicado originalmente no Linkedin em 11 de março de 2020.

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