“Toda caminhada começa no primeiro passo”, mas pode terminar também.

Você conhece essa música? Se ainda não, recomendo fortemente. Um forró gostoso de ouvir (e dançar também) e que muito nos ensina com seus versos simples e diretos. Poderia escrever um texto para cada estrofe da música, mas gostaria apenas de destacar esse trecho:

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Muito se tem falado hoje sobre desafios do século XXI, aprendizado de novas tecnologias, soft skills como fundamentais para ingresso e permanência no mercado de trabalho, mundo VUCA… um turbilhão de ideias e novas aprendizagens que em muitos aspectos iriam de encontro a afirmação de que não existe pressa.

Embora a música transmita calma e tranquilidade com suas palavras de conforto embaladas em um ritmo acalentador, não me parece que o século XXI está preocupado com alguma calmaria.

Ainda assim, é irrefutável que toda caminhada começa no primeiro passo, a questão é que o primeiro passo é apenas um passo, sozinho não quer dizer muita coisa. Somado a isso, muitos ainda acreditam de maneira equivocada que o primeiro passo sem planejamento já está valendo.

Ele até vale, mas dificilmente conseguirá dar muitos passos além do primeiro ou saber se você está caminhando na direção que deseja.

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Em uma realidade complexa e por vezes caótica, é importante termos em mente que dar passos sem planejamento e constância pode ser prejudicial à nossa autoestima e saúde mental, mesmo que não invalide o nosso esforço.

Para além da romantização de começar um novo projeto, aprendizado ou atividade, é preciso ter consciência de que o primeiro passo será fundamental, mas sozinho não te fará alcançar seus objetivos. Nesse sentido separei algumas reflexões para te ajudar a pensar sobre o assunto:

Comece pelo planejamento

Note que se é uma caminhada, o primeiro passo certamente será o primeiro de muitos, e para conseguir chegar onde você deseja, precisará planejar. Planejar envolve pensar no mínimo a curto e médio prazo, estabelecer um ponto de partida e “desembarque”, além de encontrar meios para poder registrar e acompanhar isso de alguma forma.

Parece mirabolante, mas isso pode ser feito até em um caderno, se você gosta de escrever, em uma planilha de Excel ou em um bloco de notas. Planejar já é um grande primeiro passo, pois você garante minimamente uma sequência de passos de farão a sua caminhada menos frustrante e confusa.

Como disse Lewis Caroll, “Se você não sabe para onde quer ir qualquer caminho serve”. Mas isso é apenas o início, não garante uma caminhada fluida.

Planejamento é fundamental, mas ele precisa ser flexível

Acredito que esse é um dos pontos que mais frustram as pessoas e já foi abordado em outro texto. Por vezes investimos tempo e energia fazendo o planejamento das nossas ações e de repente, em pouco tempo, percebemos que um ponto do plano não estava adequado ao contexto e por isso somos obrigados a modificá-lo de alguma forma.

Muitos interpretam isso como fracasso e desistem da caminhada aí, no primeiro imprevisto. No entanto, replanejar faz parte, a vida por si só é um eterno replanejar, precisamos nos acostumar com isso. Estamos falando de pessoas, experiências, de milhares de variáveis que influenciam em nosso comportamento e nossa caminhada, muitas delas não estão nem sequer sob o nosso controle.

Não dá para querer achar que tudo correrá conforme planejado, lembre-se do mundo volátil, incerto, complexo e ambíguo.

Estabeleça pequenas metas que te permitam acompanhar os próximos passos (depois do primeiro)

Não adianta o primeiro passo bem planejado se você não está disposto a checar se continua caminhando de alguma forma, se o ritmo está bom ou se você ainda deseja estar nessa estrada.

Crie pequenas metas para saber que você saiu do primeiro passo e está rumo ao local que deseja.

Pequenas porque podem te dar a sensação de movimento e servir de motivação para continuar na caminhada. Metas grandes e extravagantes podem te deixar desmotivado, especialmente porque geralmente são irreais comparadas a suas limitações e realidade.

Pensa quando você está em uma longa caminhada, o que é mais fácil: colocar um ponto visível de parada ou algo que está fora do seu alcance? O que te desmotivaria mais, especialmente quando você estiver cansado?

Ainda neste contexto, lembre-se que constância não é sobre quantidade, é sobre a qualidade daquilo que você se propõe fazer.

Uma meta pequena não significa incompetência ou desvaloriza o seu esforço, ela está te levando para um objetivo maior, procure considerar o todo, mas foque no passo ao invés do fim da caminhada.

Enxergue nos desafios aprendizados que podem te fortalecer na caminhada

Resiliência, tolerância à frustração, lidar com estresse, regulação emocional, entre outras habilidades socioemocionais, não se aprendem apenas lendo um livro, por exemplo.

Você precisa praticar, experimentar em diferentes situações, e nada melhor que o cotidiano da nossa caminhada para nos possibilitar isso. Muitas vezes queremos desenvolver essas habilidades subitamente ou depois de assistir uma palestra ou ler um livro interessante, e dificilmente isso vai acontecer.

Pensar de maneira contextualizada dentro de situações cotidianas em comportamentos que dialogam com essas habilidades pode aumentar suas chances de desenvolvê-las. Isto é, cada passo da sua caminhada tem excelentes lições para você aprender e praticar novas habilidades, eles podem estar nutrindo comportamentos resilientes sem mesmo você notar, por exemplo.

Estar consciente disso pode potencializar os aprendizados e abrir a mente para você querer continuar caminhando (ou mesmo mudar o rumo, quem sabe?).

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Qual foi a última vez que você parou para refletir sobre a sua caminhada? Quantas vezes você deu apenas o primeiro passo?

Artigo publicado originalmente no Linkedin em 24 de agosto de 2020.

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