Já parou para pensar que talvez você tenha experimentado emoções cujos nomeS não existeM em nossa língua materna?

Qual nome você daria para uma emoção com a seguinte descrição:

uma aceitação coletiva de um sofrimento somada a um anseio silencioso de que as coisas sejam diferentes, ao mesmo tempo em que existe um desejo penoso de esperar que as coisas sejam de fato diferentes.

Isso mesmo, tudo junto e misturado! De acordo com a autora desta descrição, isso poderia ser uma junção de tristeza e esperança, mas ela relata que a Coréia possui uma palavra mais específica para descrever exatamente essa forma de se sentir: han.

Ficou confuso ou curioso? Guarde essa informação inicial que em breve retomaremos este ponto.

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A consciência emocional é hoje considerada um pilar da inteligência emocional. Basicamente, é a capacidade de reconhecermos e nomearmos nossas próprias emoções e das pessoas que nos cercam¹. Ela é um pilar porque é a base que nos permite posteriormente refletir e planejar ações baseadas em informações fornecidas pela maneira como nos sentimos.

Hoje, já sabemos que aprender palavras para nomear nossos estados emocionais, ou seja, aumentar o vocabulário emocional, pode melhorar o autoconhecimento, refinar nossa percepção sobre nós mesmos e sobre o meio em que vivemos, além de favorecer uma vida emocional e social mais saudável².

Todos conhecemos as famosas emoções básicas (raiva, alegria, medo, surpresa, nojo, tristeza e desprezo – esse número pode variar de acordo com o material que você lê), que nos ajudaram a sobreviver ao longo da nossa evolução e até hoje são fundamentais para nossa adaptação e proteção, mas existem também uma infinidade de outras palavras que rotulam o nosso estado emocional, sendo consideradas emoções secundárias (ou sociais), e terciárias (de fundo) de acordo com alguns pesquisadores³.

Se rapidamente você fosse pensar em todas as emoções que conhece, quantas conseguiria nomear? Tente anotar antes de continuar a leitura!

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Foi difícil?

A maneira como nomeamos essas emoções pode variar de acordo com a cultura, região geográfica e a língua que falamos. Futuramente escreverei mais sobre esse assunto, para agora, essa contextualização foi feita para um objetivo mais simples e, por isso, retomarei aquela pequena história do primeiro parágrafo.

Você pode encontrar dicionários com diferentes nomes e significados atribuídos às emoções, como o projeto “Universo de Emociones”, que já possui 307 registros até o momento (Você imaginou que já tivessem tantas?).

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Em uma perspectiva histórica, a pesquisadora Tiffany Watt Smith, da Universidade Queen Mary de Londres, criou um dicionário muito interessante, o “The Book of Human Emotions”. Ele compila emoções de A a Z, de diferentes países do mundo, contextualizadas por meio de pequenas histórias, como a contada lá no início, que traduzem um pouquinho da realidade de cada um por meio de palavras bem específicas que representam, às vezes até de forma um pouco poética, como as pessoas se sentem em determinadas situações.

Já pensou em se identificar com descrições de estados emocionais que não conhecemos em português? Para Tiffany, essas palavras possuem uma carga cultural e histórica forte, ela se questiona inclusive se algumas culturas não “sentiriam algumas emoções mais intensamente” simplesmente porque se deram ao trabalho de nomeá-las e falar sobre elas.

De acordo com sua percepção, quando uma língua muda, a maneira como nomeamos e enxergamos nossas emoções também muda. Isso acontece em resposta a novas expectativas culturais, crenças religiosas, noções de gênero, etnia, idade, ideologias políticas e econômicas.

Nesse sentido, ela concorda que temos que aprender novas palavras para o que sentimos, ou seja, precisamos aumentar nosso vocabulário emocional, mas acredita que precisamos ir além. É importante entender que mudanças históricas influenciam nossas emoções, especialmente por afetarem a maneira como percebemos e sentimos aquilo que sentimos.

A mensagem principal de Tiffany é que vale a pena se importar com essas palavras porque elas nos lembram como é poderosa a conexão entre o que pensamos e como nos sentimos. Você concorda?

Bom, eu, motivada a descobrir novas palavras e movida pela curiosidade e desejo de descoberta, compartilharei semanalmente no Instagram do Emociona-te uma emoção do dicionário da Tiffany, e de outros que eventualmente eu possa adquirir, e sua respectiva descrição. O que acha de acompanhar?

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Para acessar o dicionário original da autora, o nome é este: The Book of Human Emotions: An Encyclopedia of Feeling from Anger to Wanderlust.

Caso prefira assistir ao TED “A história das emoções humanas“, basta clicar no link.

Referências

¹ ALZINA, R. B.; GONZÁLEZ, J. C. P.; NAVARRO, E. G. Inteligencia emocional en educación. Madrid: Sintesis, 2015. 340 p.

² BRACKET ET AL. Emotional Intelligence. In Barrett, L. F.; Lewis, M.; Haviland-Jones, Jeannette M. (Ed.). Handbook of emotions. Guilford Publications, 513-531, 2016.

² DAVID, Susan. Agilidade Emocional. Cultrix, 2018. 

³ DAMÁSIO, A. R. O mistério da consciência: do corpo e das emoções ao conhecimento de si. Tradução de Laura Teixeira Motta. São Paulo: Companhia das Letras, 2015.

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